O escultor, pintor, ilustrador e desenhista Arcangelo Ianelli nasceu em São Paulo, São Paulo, no dia 18 de julho de 1922 e morreu também em São Paulo em 26 de maio de 2009. Ele se niciou no desenho como autodidata. Em 1940, estudou perspectiva na Associação Paulista de Belas Artes e, em 1942, recebeu orientação em pintura de Colette Pujol. Dois anos depois, frequentou o ateliê de Waldemar da Costa com Lothar Charoux, Hermelindo Fiaminghi e Maria Leontina. Durante a década de 1950, integrou o Grupo Guanabara juntamente com Manabu Mabe, Yoshiya Takaoka, Jorge Mori, Tomoo Handa, Tikashi Fukushima e Wega Nery, entre outros.

    Arcangelo Ianelli começa a desenhar na adolescência. No princípio da década de 1940, fez pinturas e desenhos realistas, estruturados de acordo com as características percebidas na pintura paulistana. Entre o fim da década de 1940 e início da década de 1950, passou a demonstrar interesse por outras propostas estilísticas, aproximando-se progressivamente de soluções alinhadas ao debate sobre a arte construtiva, muito embora se mantenha ligado à figuração.

    Nas marinhas, realizadas em 1957, a tendência à simplificação formal se aprofundou. O artista reduziu sua paleta de cores e se concentrou em formas lineares e bem contornadas. Nesse trabalho, as formas são planas, sem o sombreado tradicional. Os primeiros quadros da década de 1960 são feitos com formas geométricas simples e fechadas. Ianelli usou esse vocabulário para criar paisagens e retratos. Em 1961, a pintura tornou-se francamente abstrata. No entanto, as cores ralas e a pincelada suave são trocadas por manchas espessas de tinta e cores escuras. Três anos mais tarde, ganhou o prêmio de viagem ao exterior do Salão Nacional de Arte Moderna. Morou, entre 1965 e 1967, na Europa. Nesse período, o artista inseriu linhas e outros grafismos em sua pintura. As formas foram se tornando mais regulares e contornadas, as manchas são suavizadas.

    Em 1973, Ianelli radicalizou o processo de estruturação de suas telas e partiu para a abstração geométrica. Dividiu a tela em formas regulares e buscou uma relação rítmica entre elas. As pinturas guardam semelhanças com alguns trabalhos do concretismo. No mesmo ano, iniciou séries de pintura, como Transparências e Superposições, em que trabalhou com retângulos sobrepostos, com colorido discreto e vibrante. Em 1974, começou a realizar obra tridimensional. Como em suas pinturas, sobrepôs retângulos em planos diferentes de uma superfície contínua.

    A partir de 1983, o artista relacionou essas formas geométricas com zonas de cor menos lineares. As manchas passaram a escapar do contorno. Em alguns trabalhos, sumiram as linhas que separam uma cor da outra e as manchas regulares de tinta foram sobrepostas às formas retangulares, as passagens de cor se tornaram mais tonais. Durante a década de 1980, alternou essas pinturas mais informais a outras em que relacionou as manchas com retângulos.

    Atuou ainda como escultor desde a metade da década de 1970, quando realizou obras em mármore e em madeira, nas quais retomou questões constantes na obra pictórica. Em 1995, Ianelli voltou à escultura. Realizou volumes brancos enxutos e bem definidos de mármore. Ao mesmo tempo, sua pintura caminhou para a simplificação. Em trabalhos feitos entre 1999 e 2000, chamados Vibrações, reduziu o número de cores e de manchas na pintura. A aplicação da tinta é suave, como se fosse borrifada na tela. As obras têm semelhanças com os trabalhos de artistas norte-americanos, como Mark Rothko e Jules Olitski.

    Em 2002, comemorou seus 80 anos com retrospectiva montada pela Pinacoteca do Estado de São Paulo.

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