Hélio Oiticica, nascido no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, no dia 26 de julho de 1937, e morto na mesma cidade em 22 de março de 1980 (vítima de acidente vascular cerebral), foi pintor, escultor, artista plástico e performático de aspirações anarquistas. É considerado por muitos um dos artistas mais revolucionários de seu tempo e sua obra experimental e inovadora é reconhecida internacionalmente.

    Oiticica buscou a superação da noção de objeto de arte como tradicionalmente definido pelas artes plásticas até então, em diálogo com a teoria do não-objeto de Ferreira Gullar. O espectador também foi redefinido pelo artista carioca, que alçou o indivíduo à posição de participador, aberto a um novo comportamento que o conduzisse ao “exercício experimental da liberdade”, como articulado por Mário Pedrosa. Nesse sentido, o objeto foi uma passagem do entendimento de arte contemplativa para a arte que afeta comportamentos, que tem uma dimensão ética, social e política, como explicitado no texto Nova Objetividade Brasileira, publicado em 1967 no catálogo da exposição homônima ocorrida no MAM-RJ.

    O conceito “suprassensorial”, que Oiticica desenvolve também a partir de 1967, propõe experiências com a percepção do participador, investigando possibilidades de dilatamento de suas capacidades sensoriais – uma “suprassensação” semelhante àquela causada pelo efeito de drogas alucinógenas ou pelo êxtase do samba. Poderia a arte atingir esse mesmo efeito? Segundo Oiticica, o suprassensorial levaria o indivíduo “à descoberta do seu centro criativo interior, da sua espontaneidade expressiva adormecida, condicionada ao cotidiano”.

    Hélio Oiticica aspira à superação de uma arte conformista, elitista, condicionante, limitada ao processo de estímulo-reação, que se configura como instrumento de domínio intelectual e comportamental. Propõe, então, uma arte que busca uma abertura ao participador e do participador por meio de experiências que promovam uma volta do sujeito a si mesmo, redescobrindo e libertando-se de seus condicionamentos éticos e estéticos, impelindo-o a um estado criativo em uma vivência suprassensível.

    Hélio Oiticica era neto de José Oiticica, anarquista, professor e filólogo brasileiro, autor do livro O anarquismo ao alcance de todos (1945). Até os dez anos, Hélio Oiticica não frequentou escolas, foi educado pelos pais. Em 1947, transferiu-se com a família para Washington (EUA), quando seu pai recebeu uma bolsa da Fundação Guggenheim. De volta ao Brasil, em 1954, iniciou estudos de arte na escola de Ivan Serpa, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), estudo marcado pela ênfase na livre criação e na experimentação. No mesmo ano, escreveu o primeiro de seus muitos textos sobre arte.Entre 1955 e 1956, Oiticica fez parte do Grupo Frente, de artistas concretistas.

    A partir de 1959, participou do Grupo Neoconcreto, ao lado de artistas como Reynaldo Jardim, Amílcar de Castro, Lygia Clark, Lygia Pape e Franz Weissmann. Abandonando o quadro e adotando o relevo, bem cedo Hélio incursionou por novos domínios, criando seus núcleos e seus penetráveis para chegar, em seguida, à arte ambiental, em que melhor daria vazão ao seu temperamento lúdico e hedonista.

    A ida ao Morro da Mangueira, em 1964, para conhecer a feitura de carros alegóricos, colocou-o em contato com uma comunidade organizada em torno da dança, do samba e do carnaval, o que, para Oiticica, foi uma experiência vital de desintelectualização e derrubada de preconceitos sociais. Naquela época, Hélio Oiticica criou o Parangolé, que ele chamava de “antiarte por excelência”, uma pintura viva e ambulante. O Parangolé (nome que Oiticica encontrou em uma placa que identificava um abrigo improvisado, construído por um mendigo na rua, na qual se lia “Aqui é o parangolé”) é uma espécie de capa (ou bandeira, ou estandarte, ou tenda) que só com o movimento de quem o veste revela plenamente suas cores, formas, texturas e textos com mensagens como “Incorporo a revolta” e “Estou possuído”. Em 1965, ao apresentar os Parangolés vestidos por passistas da Mangueira na mostra Opinião 65, foi expulso do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, evento que acentuou seu interesse em desenvolver uma arte inseparável de questões sociais.

    Foi também Hélio Oiticica quem fez o penetrável Tropicália, que não só inspirou o nome, mas também ajudou a consolidar uma estética do movimento tropicalista na música brasileira nos anos 1960 e 1970. Oiticica o chamava de “primeiríssima tentativa consciente de impor uma imagem ‘brasileira’ ao contexto da vanguarda”. Os penetráveis têm como pré-requisito a incursão do visitante, ou seja, os ambientes coloridos só funcionam com a presença do espectador.

    Em 16 de outubro de 2009, um incêndio destruiu grande parte das obras que estavam na reserva técnica no bairro Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. As primeiras notícias sobre o incêndio estimavam que 90% do acervo (avaliado em 200 milhões de dólares) foram perdidom, dados que foram subsequentemente revistos. No local, também eram guardados documentários e livros sobre o artista. Esse incêndio deflagrou a discussão sobre a importância da obra escrita de Hélio Oiticica, em grande parte preservada pela digitalização realizada anos antes do acidente pelo Programa Hélio Oiticica, coordenado pela curadora e crítica de arte Lisette Lagnado e desenvolvido em uma parceria entre o Instituto Itaú Cultural e o Projeto Hélio Oiticica.

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