Manabu Mabe

Manabu Mabe (Kumamoto/JP, 1924 – São Paulo/SP, 1997)

Pintor, gravador, ilustrador. As pinturas de Manabu Mabe são caracterizadas sobretudo pela gestualidade, pelo trabalho com manchas de grande expressividade e pelo apuro no uso das cores. De Kobe, Japão, emigra com a família para o Brasil em 1934, para se dedicar ao trabalho na lavoura de café no interior do estado de São Paulo. Interessado em pintura, começa a pesquisar sobre o tema, como autodidata, em revistas japonesas e livros sobre arte.

Em 1941, na cidade de Lins, dedica-se aos desenhos com crayon e aquarelas, apenas nos domingos e nos dias de chuva – quando não pode trabalhar na lavoura. Em 1945, adquire as primeiras tintas a óleo, aprende a diluí-las e a preparar a tela com o pintor e fotógrafo Teisuke Kumasaka (1901-1987). Nesse período, utiliza como suporte para as pinturas o papelão ou a madeira

Em 1947, em viagem a São Paulo, conhece o pintor Tomoo Handa (1906 -1996), que o incentiva a ter a natureza como fonte de inspiração. No ano seguinte, estuda com o pintor Yoshiya Takaoka (1908 -1978), que lhe transmite ensinamentos técnicos e teóricos sobre pintura. Nesse período,  integra o Grupo Seibi e participa das reuniões de estudos do Grupo 15, com Yoshiya Takaoka, Shigeto Tanaka (1910-1970) e Tomoo Handa. Dedica-se ao estudo do nu artístico, pinta paisagens e naturezas-mortas, inicialmente com estilo mais conservador, mas progressivamente se aproxima do impressionismo e do fauvismo.

Na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951, entra em contato com obras de artistas da Escola de Paris, como Jean Claude Aujame (1905-1965), André Minaux (1923-1986), André Marchand (1907-1997) e Bernard Lorjou (1908-1986). Essa experiência, segundo o artista, modifica sua forma de pensar e sua atitude perante a pintura. Nessa década, participa das exposições organizadas pelo Grupo Guanabara.

No começo dos anos 1950, apresenta em suas telas formas geometrizadas, aproximando-se do cubismo, e figuras contornadas por grossos traços negros, Gradualmente, adere à abstração e, em 1955, pinta sua primeira obra abstrata Vibração-Momentânea.  A produção do artista passa a dialogar com a obra do pintor espanhol Pablo Picasso (1881-1973) e a de Candido Portinari (1903-1962), por quem manifesta forte admiração, como podemos observar em Carregadores (1953) ou Colheita de café (1956).

Em 1957, vende seu cafezal em Lins e se muda para São Paulo para se dedicar exclusivamente à pintura.  Recebe, em 1959, o Prêmio Leirner de Arte Contemporânea, com as pinturas abstratas Grito e Vitorioso, ambas realizadas em 1958. As obras aludem ao sentimento de alegria do artista pelo convite para participação no evento. Vitorioso é também uma homenagem à atuação de Pelé na Copa do Mundo do ano anterior.

Em 1959, participa da 5ª Bienal Internacional de São Paulo, com as obras Composição móvel, Pedaço de luz e Espaço branco, todas daquele ano, e recebe o prêmio de Melhor Pintor Nacional. As pinturas se destacam pelas grandes manchas cromáticas, executadas em gestos rápidos e largos, nos quais se percebe o equilíbrio entre a espontaneidade e a contenção. Nessas telas, encontramos referências à tradicional arte da caligrafia japonesa

Em 1959, consagra-se nacional e internacionalmente: é premiado na 1ª Bienal dos Jovens de Paris; a revista Time dedica-lhe um artigo, intitulado The year of Manabu Mabe [O ano de Manabu Mabe]; e, no ano seguinte, é premiado na 30ª Bienal de Veneza. Torna-se assim um dos artistas mais destacados do abstracionismo informal brasileiro.

No início de sua trajetória no campo da abstração, explora o empastamento, a textura e o traço e se revela um colorista de porte. Ao se voltar para o universo das formas caligráficas, percebe também as possibilidades de criar uma linguagem lírica com a cor. Em meados da década de 1960, depois de uma viagem de oito meses pela Europa, começa a se aproximar de certos aspectos do tachismo.

Os títulos de suas obras costumam evocar emoções ou fenômenos da natureza, como Canção melancólica (1960), Primavera (1965), Vento de Equador (1969), Outono tardio (1973), Meus sonhos (1978) ou Viver (1989). A partir da década de 1970, cristaliza seus procedimentos anteriores – que reaparecem de forma estilizada em quase toda sua produção –, incorpora em seus quadros figuras humanas e formas de animais, apenas insinuadas ou sugeridas, mas representadas em grandes dimensões. Paralelamente, as grandes massas transparentes e etéreas com que trabalha adquirem um aspecto de solidez.

Nos anos 1980 pinta um painel para a Pan American Union em Washington, Estados Unidos; ilustra O livro de hai-kais – com tradução de Olga Salvary e edição de Massao Ohno e Roswitha Kempf – e elabora a cortina de fundo do Teatro Provincial, em Kumamoto, Japão.

Manabu Mabe explora o uso das cores e as texturas em suas telas. Com contornos alusivos e um traçado ao mesmo tempo espontâneo e controlado, aproxima-se do abstracionismo, retratando também referências às formas da caligrafia japonesa.

Fonte: Itaú Cultural.

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